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Com tecnologia Intel, pesquisa busca auxiliar no diagnóstico da COVID-19 por meio da tosse

O Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), institutos de pesquisa com expertise em saúde pública, deram início, nesta semana, ao desenvolvimento de uma pesquisa para auxiliar no diagnóstico da COVID-19, através da detecção de sinais específicos da infecção pelo novo coronavírus em um de seus principais sintomas, a tosse. O objetivo da parceria é criar uma ferramenta de apoio para o diagnóstico a distância da COVID-19 e de outras doenças pulmonares por meio de um sistema de reconhecimento de tosse, índices clínicos e epidemiológicos. A primeira fase é a coleta de áudio gravado da tosse de voluntários, que será utilizado para “treinar” um modelo baseado em inteligência artificial desenvolvido pela Intel.

A coleta de dados é necessária para treinar a tecnologia e atingir maior precisão na exatidão dos resultados. Para isso, serão coletadas, pelo menos, 900 amostras, sendo 300 de indivíduos saudáveis, 300 pessoas com exames positivos para COVID-19 e 300 voluntários com outras doenças pulmonares. Na segunda fase, com as amostras coletadas, a previsão é que o serviço fique à disposição em 30 dias.

Os interessados que tiverem mais de 18 anos já podem participar e ajudar na otimização da ferramenta virtualmente e de forma anônima, por meio do portal SoundCov (http://soundcov.com). O voluntário precisa gravar um áudio da sua tosse, de 30 a 60 segundos, pelo celular, e responder a uma pesquisa com alguns dados clínicos e da sua saúde atual, para que o sistema tenha mais informações na coleta de dados.

Vale destacar, que a ferramenta funcionará como apoio de diagnóstico, por meio do teste de tosse e de um questionário padrão com perguntas sobre os sintomas do usuário. “Através de IA, buscamos criar uma ferramenta para identificar e oferecer um diagnóstico provável de um paciente com suspeita de COVID-19”, explica o infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda. O coordenador da pesquisa esclarece ainda que a solução, por meio de sinais, sintomas e reconhecimento da tosse, fornecerá uma pontuação que indicará se o paciente deve se manter em isolamento social por 14 dias e buscar um serviço de saúde para confirmação laboratorial do diagnóstico.

Dimas Tadeu Covas, do Instituto Butantan, classifica a iniciativa como inovadora e destaca a importância da incorporação da inteligência artificial (IA) como ferramenta auxiliar de diagnóstico.  “Na pandemia, a IA é mais uma forma de ampliar o acesso da população à saúde. Ao mesmo tempo, a ferramenta aumentará a rastreabilidade de infectados”, explica o diretor, membro do Comitê de Saúde do governo do Estado de São Paulo.

A parceria foi uma ação do Movimento Brasil Competitivo (MBC) junto ao governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, para colocar à disposição soluções de tecnologia no combate à COVID-19. “Nosso papel, neste momento de crise, é promover a aproximação dos setores público e privado, permitindo a criação de soluções inovadores no combate ao coronavírus”, destaca Tatiana Ribeiro, diretora executiva do MBC.

A pesquisa conta ainda com a participação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Universidade de São Paulo (USP).

 

Como serão feitos os testes com o uso da solução

Estudos apontam que a tosse de diferentes síndromes respiratórias tem características distintas. Através da tecnologia, essas peculiaridades podem ser detectadas por similaridades sonoras, e então processadas e classificadas. Com essas informações, os recursos podem ser usados para treinar um sistema de IA para realizar o diagnóstico preliminar baseado apenas na tosse.

A infraestrutura e ferramentas de IA para o treinamento dos algoritmos de reconhecimento da tosse foi disponibilizada pela Intel Brasil. Com as amostras preservando a identidade dos participantes, a empresa irá treinar a ferramenta, como afirma o Diretor de Políticas Públicas da Intel Brasil, Emilio Loures.

“A Intel acredita que a tecnologia tem o poder de transformar a vida das pessoas e tem como um dos principais objetivos auxiliar tanto nos desafios que o mundo enfrenta agora com a COVID-19, quanto nos que enfrentará no futuro. Através de inovações tecnológicas, a Intel se compromete a fomentar, cada vez mais, um ecossistema que permita a humanidade a avançar, melhorar a qualidade de vida e as experiências das pessoas” complementa Loures.

As seguintes definições de casos serão aplicadas aos participantes:

  • Grupo 1 – Indivíduos saudáveis – sem sintomas de tosse, febre ou falta de ar nos 30 dias antecedendo a gravação do áudio (neste caso, tosse forçada).
  • Grupo 2 – Indivíduos com COVID-19 – Diagnosticados com confirmação laboratorial de infecção por SARS-CoV-2 por técnicas moleculares bem definidas. Serão registrados os áudios e parâmetros demográficos (idade, local, condições prévias) e clínicos (dias de sintomas, presença de dispneia, frequência respiratória, saturação de oxigênio e medicações em uso).
  • Grupo 3 – Indivíduos com condições que levem à tosse sem ser por COVID-19 – Demonstram tosse por condições que não são compatíveis ao COVID-19. Serão selecionados pacientes com outras doenças pulmonares, tais como: pneumonia bacteriana, refluxo gastroesofágico, asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

Sobre a Intel

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