O caminho para o nosso futuro sem motoristas passa pelo meio da cidade

Por Kathy Winter

 

Eu visito muitas metrópoles a trabalho – Munique, Detroit, San Francisco, Tel Aviv – e eu amo o burburinho das grandes cidades. A atividade é revigorante – há muito para ver e fazer. No entanto, essa vibração perde seu apelo quando estou atrás do volante do carro. Em um quarteirão alguém buzinará para mim, outro carro me dará uma fechada, uma sirene disparará, um caminhão de entrega bloqueará a minha faixa, uma lata de lixo cairá na calçada, um pedestre correrá na minha frente – não em uma faixa de pedestres, só para esclarecer – e alguém em uma bicicleta virá em minha direção pela contramão. Um pequeno trajeto exige toda a minha atenção.

Pequenos trajetos na cidade representam a perna mais longa da minha jornada rumo à condução autônoma na Intel – não em termos de distância, mas de complexidade de engenharia. A maioria dos carros autoconduzidos de hoje – ou carros com automação condicional de nível 3 – já mostraram que podem viajar com segurança por longas distâncias em uma rodovia. Considere a viagem de 5.471 km atravessando o país que a minha equipe e eu projetamos há dois anos na Delphi. Noventa e nove por cento do tempo estávamos em modo de autocondução e navegamos com segurança por todos os tipos de clima – até mesmo permanecendo no caminho certo quando as faixas nas estradas desapareceram. Mas as coisas ficam muito mais complicadas quando você sai de uma estrada bem demarcada.

A razão para isso é simples: Por sua própria natureza, as ruas das cidades são exponencialmente mais complexas do que as estradas. A variedade de objetos encontrados em uma viagem pela estrada é relativamente limitada: carros, motocicletas, caminhões, placas de trânsito, árvores e vegetações, guard-rails e algumas outras opções possíveis. Saia da estrada e muitas outras coisas são adicionadas à equação. Seres humanos, por exemplo – uma variedade infinita de seres humanos caminhando, correndo, andando de bicicleta, de skates e scooters, andando pela contramão, descendo de carros, entrando em táxis.

Antes que os carros possam ser verdadeiramente sem motoristas – sem volantes, sem pedais e sem humanos operando como mecanismos de prevenção a falhas – precisamos projetar cérebros automotivos que possam lidar com a complexidade de um ambiente urbano denso. Como definido pela Sociedade de Engenharia Aeroespacial e Automotiva (SAE, na sigla em inglês), isso significa automação total nível 5. E esse não é um feito nem um pouco fácil.

Embora a nomeação incremental dos diferentes níveis de automação sugira um aumento incremental na capacidade, os deltas são mais em termos de magnitude. Os carros sem motoristas de nível 5 precisarão de capacidades de detecção e tomada de decisões exponencialmente maiores do que os carros do nível 3. Em outras palavras: processamento de inteligência e desempenho exponencialmente maiores – saltos monumentais na complexidade dos algoritmos e na capacidade de processamento associados com espera quase zero, o que significa uma latência significativamente menor. Embora a tecnologia que possa atender a todas essas necessidades já exista, nenhuma empresa conseguiu ainda dimensionar um computador em um envelope térmico ou de energia que atenda às necessidades da indústria.

Apesar desses desafios, apenas a Intel pode alcançar esse valor computacional e escala de desempenho no carro, na rede e no data center. A Intel reconheceu que este complexo desafio precisa de um complexo conjunto de ferramentas – com uma combinação otimizada de CPUs escaláveis que possam se estender aos produtos para os servidores do data center, FPGAs e, sim, inteligência artificial. E a Intel é a única empresa de tecnologia que oferece um completo conjunto de ferramentas fim a fim que abrange todo o desafio tecnológico do carro à nuvem para tornar a condução totalmente autônoma possível.

E o mais importante, a tecnologia para o carro sem motorista nos promete o potencial de salvar centenas de milhares de vidas e garantir a mobilidade para todos – sem mencionar a economia do stress de dirigir por uma cidade vibrante e ativa ou por rodovias longas e tediosas.

Eu usarei toda a profundidade e amplitude do portfólio da Intel, além de seus parceiros-chave, para percorrer a distância entre os carros de nível 3 que estamos vendo hoje e as capacidades de nível 5 que finalmente removerão os humanos do lugar do motorista no futuro. Esta é uma viagem na qual estou empolgada para estar no banco do passageiro, sem ninguém atrás do volante.

Kathy Winter é vice-presidente e gerente geral da Divisão de Condução Automatizada da Intel Corporation.

Esta é a sexta edição de uma série ocasional de editoriais da sala de imprensa da Intel relacionada à condução autônoma. Para comentar ou alcançar a Kathy diretamente, envie um email para autonomousdriving@intel.com.

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